Cruzada pelo Mondego, abraçada pela sapiência e pela estudantina desde há séculos, Coimbra tem sempre mais encanto.
Cidade onde se formaram os primeiros doutores do reino, foi também a segunda capital da pátria lusitana (de 1139 a 1256). à medida que a geoestratégia de D. Afonso Henriques avançava para sul e conquistava território aos mouros invasores. Mas esses são outros tempos, passados e revistos numa memória que perdura e não esquece a importância destas paragens. Antes e agora.
Na boa tradição universitária desta urbe, que se enche e esvazia de estudantes num ápice, e após o rescaldo da concorrida e agitada Queima das Fitas, que sucede desde há mais de 100 anos na primeira semana de Maio, Coimbra recupera a sua faceta tranquila, voltada para o Mondego, o proclamado "rio dos poetas", onde se reflecte uma cidade com o seu casario que vai. pela encosta acima até à torre cimeira da secular universidade.
As suas portas abrem-se partindo do Largo da Portagem em direcção à
Rua Ferreira Borges, com o centro histórico a desenvolver-se à esquerda e à direita desta artéria de comércio multifacetado. Com atenção de turista curioso, facilmente adivinhamos o que se passa para lá desta agitação consumista do século XXI, descortinando num olhar os jogos de sombras, as ruelas escondidas num verdadeiro labirinto e os edifícios com sabor a antigo a comporem, com toda a certeza, o cenário. Entretanto, não resistimos a abandonar esta Coimbra mais ou menos contemporânea e atravessamos o Arco de Almedina em busca do resto da cidade, em tempos rodeada pelas suas fortalezas de pedra dura, não sem antes passarmos pela Igreja de Santa Cruz, onde estão sepultados D. Afonso Henriques e D. Sancho I.

Sabores Antigos
Uma vez desorientados nesta malha de ruas e vielas apertadas, encontra-se o tempero parado no tempo da cidade antiga, com a sua Sé Velha a erguer-se, imponente, diante de quem vai a caminho da secular Universidade de Coimbra, onde nos aguarda o ex libris que é a sua biblioteca joanina. Enquanto o passo avança, admiram-se as varandas e varandins decorados com dizeres contestatários - ou não que as repúblicas de estudantes fazem questão de afixar neste bairro que lhes pertence por direito adquirido, uma tradição que remonta, aliás, aos tempos medievais, quando a cidade fervilhava de sábios e pretendentes a tal estatuto, aqui reunidos em animadas confrarias de estudantes.
Por entre uma ou outra escadaria de pedra alisada por séculos de uso, atravessamos a história da cidade, ouvindo-se ao longe passos apressados de gente que aqui vive e empresta vida a esta parte mais ou menos adormecida de Coimbra. E enquanto não alcançamos o enorme pátio da Universidade para admirar a paisagem coimbrã cá do alto, a ver o Convento de Santa Clara do outro lado do Mondego, é impossível não tropeçarmos em alguns dos seus mais notáveis monumentos, como é o caso da renascentista Torre do Anto, do magnífico edifício quinhentista do Museu Nacional Machado de Castro ou da Sé Nova, adjacente ao Colégio das Onze Mil Virgens.
Os que preferirem vistas mais largas podem sempre optar pelo elevador panorâmico que parte da Av. Sá da Bandeira e liga a baixa à alta da cidade, ou então simplesmente seguir por esta comprida artéria à sombra das portentosas árvores que acompanham todo o trajecto até ao Jardim da Sereia, para então galgar a escadaria monumental que nos leva directamente à secular Universidade de Coimbra, que iremos querer abandonar mal avistemos o luxuriante Jardim Botânico, o maior de Portugal e criado em 1722 (a entrada é junto ao Aqueduto de São Sebastião).
Resumindo, uma coisa é certa: na hora da despedida chega logo a saudade, que nos faz regressar a Coimbra outra e outra vez... .,*

"Coimbra dos Pequenitos"
Visitada a eterna cidade conimbricense, os programas paralelos são mais do que muitos, a começar com uma obrigatória e inevitável visita ao Portugal dos Pequenitos, mantido e preservado pela Fundação Bissaya Barreto, que mostra a arquitectura do País à dimensão dos mais novos desde há mais de 60 anos. Para mais nostalgias, rume-se então a Conímbriga (quem não foi, nos tempos da escola primária, em visita de estudo à cidadela romana depois de um passeio pelo Portugal dos Pequenitos), onde os vestígios da ocupação romana resistem à falta de atenção que o homem do século XXI lhes dedica. Quem lá foi há 20 anos não verá grande diferença quanto às infra-estruturas de apoio, salvo um telheiro de estética duvidosa que agora abriga uma ínfima parte do complexo arqueológico; tudo o resto continua como sempre esteve, meio abandonado e sujeito à intempéries, uma desolação, não existindo legendas explicativas dignas desse nome junto dos vários espaços de interesse ou sequer indicações de orientação. De qualquer forma, vale sempre a pena dar uma volta pelo local, nem que seja para comprovar que o que os romanos construíram há séculos resiste bem mais do que muitas obras públicas da actualidade... Outra proposta é tirar partido do leito manso do rio Mondego, inscrevendo-se nas aulas de remo que a Divisão de Desportos Náuticos da Associação Académica de Coimbra (www.aac-nauticos.com) promove com alguma regularidade, uma prática que tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos por estas bandas.
Alguns vídeos que mostram
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